Das coisas que só acontecem comigo

Se você tem mais de 15 anos, aposto que já passou por alguns micos, embora que, comecei os meus, com 12. O vexame daqueles aconteceu na saída da escola quando achei que tinha visto a mãe de uma amiga a qual costumo chamar de tia e, nesse meu achar, fui em direção a esta mulher que não era coisíssima nenhuma a minha idolatrada tia (e detalhe: todos meus amigos olhando o meu desastre.). Quando cheguei até àquela senhora, disse: “Oi, tia…”. Só então fui perceber que aquela senhora não era quem eu achava que era. Sem graça voltei na roda com os amigos enquanto eles riram de mim nos quatros meses seguidos. Minto. Acho que foi o ano todo.

Já fui assediado por oito garotas enquanto passava em frente a um ponto de ônibus. O motivo? Vamos pular essa parte. Já derrubei pizza no chão dentro da pizzaria. Já derrubei comida na minha roupa dentro do restaurante tentando cortar a maldita carne. Mas dessas vezes tenho uma explicação: o problema são as facas.

Já cai da escada no shopping, na rua, no ônibus. Realmente, tudo leva a crer que preciso de óculos. E daqueles óculos fundo de garrafa porque também tenho uma deficiência em enxergar as pessoas no meio da rua.

Não deixando de ser mico, dia desses uma mulher me parou na rua e perguntou como estava a minha mãe, meu irmão e meu pai. E eu lá, tentando lembrar-se da coitada que me julgava capaz de reconhecê-la. “Eu sou a tia do sicrano, irmã da fulana, que é casada com beltrano e que é amigo da sua mãe.” Ah, que bom. Ajudou muito. Até eu montar a árvore genealógica do sicrano, da fulana e do beltrano, já ia escurecer e estava atrasado. Então, inteligente do jeito que sou, disse: “Ah, lembro, lembro, o sicrano está bem? Quanto tempo que a gente não se vê. Mande um abraço para ele”. É uma técnica infalível. Me salva sempre dos apuros.

O pior de todos os vexames aconteceu quando eu e uma amiga fomos ao cinema e, na hora de escolher o filme, escolhemos o The Hobbit: The Battle of the Five Armies. Legal. Pipoca. Coca-Cola. Tudo sob o controle. Entretanto, sentimos uma agitação no meio do filme para o final. E eu e ela um olhando pro outro dizendo: “legal o filme, né?”. Sim, muito legal. A verdade é que não estava entendendo bulhufas de nada. Comentei o equivoco com um amigo depois que sai do cinema — ele fascinado por filme — me contou que era uma trilogia por isso que fiquei boiando. Pra minha sorte não estava sozinho nessa: ela também não tinha entendido nada, e é por isso que eu e ela temos uma ligação fortíssima, ambos são desastrados.

Outro exemplo? Dia desses minha prima perguntou que seriado estou acompanhando e foi me dando uma overdose de informação sobre o que ela mais gosta: The Flash, Teen Wolf, Orange Is The New Black, Game of Thrones, True Detective, Penny Dreadful e o Demolidor — o favorito dela. Quase fui ao quarto chorar. Então ela disse: “Nossa, você não acompanha nada?”.

É de se preocupar. Porque só tenho 21 anos.

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