Dia de um mestre

Dia desses estava mudando de canal, entediado pelo fato de nada ser mais conciso na televisão, deparei-me com um filme que não me recordo o nome, mas a cena focava no grande Rob Schneider, seu personagem pareceu estar desempregado quando sua mulher (que também não me recordo do nome), disse: “Pare de reclamar, você tem formação como professor volte a dar aula”. Desconfio que ela não tenha falado desta mesma maneira que interpretei, no entanto, ele respondeu: “Não quero dar aula. Seria muita pretensão da minha parte ensinar para alguém tudo que sei”.

Então pensei com meus botões, como seria o mundo se houvesse professores que, ao invés de apenas ensinar, estimulasse o saber que cada um carrega dentro. Fico até meio sem jeito de escrever isso porque soa como algo pejorativo, mas para quem questiona o ensino que temos, para quem reflete sobre o que é dar aula, o que de fato é importante que o aluno saiba, sabe que é um elogio. Sabe que é um elogio porque simplesmente tem em mente que aluno não é mais aquele que ouve enquanto o professor passa o conhecimento.

Chegamos até aqui com um caos mundial, crise em todas as esferas, pessoas se suicidando por falta de perspectiva. Às vezes fico pensando que mundo incrível nós teríamos se criássemos protagonismos em todas as camadas da sociedade, se conseguíssemos olhar para vida com mais leveza, com mais sabedoria, com mais vontade de abraçar o outro, respeitando suas diferenças, agregando os saberes, usufruindo cada um à sua maneira e capacidade cognitiva de interpretar o próprio universo.

É utópico demais? Talvez. Mas acredito que um dia poderemos olhar para trás e ver que para construir um conceito tivemos que desconstruir tantos outros, que tivemos ainda que ouvir muita gente pessimista dizendo que não ia dar certo, que não ia dar em nada, que tudo foi perda de tempo. Aqui vale lembrar que só se sentem agredidos por uma evolução aqueles que invejam e sabem que perderá a grandeza do seu poder.

Pois só consegue desfrutar as grandes e pequenas coisas da vida quem, finalmente, entendeu que não há mais uma pirâmide que rege tudo: o separatismo perdeu a vez. Porque sabem o que muda uma civilização, o que estabelece acordos é o poder compartilhado. É o ser mestre e, ao mesmo tempo, aprendiz.

Agradecemos pela contribuição de um mundo mais igualitário. Agradecemos por valorizar o saber que cada um carrega dentro. Parabéns pelo seu dia, mestres.

Comments

comments

Deixe uma resposta