Eclipse Lunar

Você consegue imaginar onde estou neste exato momento? Não precisa fazer o esforço de pensar. Eu te conto. Estou sentado num banco próximo a uma avenida perto de casa. Vejo carros indo e vindo, pessoas descendo do ônibus, andando de bicicleta, pessoas dentro do carro e a pé. Agora acabaram de sentar ao meu lado duas moças que estão falando sobre os conflitos no trabalho e sobre como as coisas andam difíceis. Uma delas está fumando. Parece que está com pressa, pois não para de olhar para o celular.

Do outro lado do banco, sentou outra moça com uma garotinha comendo salgadinho. A moça parece ser a mãe dela. A garotinha não para de olhar pra mim. Será que elas querem saber o que estou escrevendo neste papel?

Agora são oito e meia da noite e a avenida está mais movimentada. Homens e mulheres que acabaram de sair do trabalho. Acho que não disse, mas moro em um bairro onde há uma empresa de tecelagem. A expressão no rosto dessas pessoas é de cansaço. As coisas andam difíceis mesmo…

Acabou de passar na minha frente um garoto (posso chamar de garoto um jovem de aproximadamente 25 anos, não é mesmo?), que estudou comigo no Ensino Fundamental. Pra variar não me reconheceu (mudei tanto assim?) e não o chamei para um papo porque está com pressa e eu não quero perder o ritmo da minha inspiração.

A garotinha que está com um pacote de salgadinho me ofereceu um pouco do seu saboroso lanche da tarde, se é que se pode chamar de lanche, ruffles. As duas moças que estavam falando sobre o conflito no trabalho acabaram de entrar numa van. Acho que vão para a faculdade.

Não falei um pouco sobre o ambiente. Bom, na minha frente tem uma vista panorâmica do Habib’s e um posto de gasolina. No meu lado direito há um Mcdonald’s. E agora já são nove horas. Meu Deus, como a hora voa!

Se bem que fiz uma amizade: a garotinha perguntou o que ando escrevendo. Perguntou onde eu moro e o que faço da vida. A mãe dela pediu que não me importunasse. E criança inteligente, por um acaso, importuna? Fique tranquilo. Não disse isso, fiz o que melhor sei fazer, sorrir.

Agora ela está olhando para o céu. Ouço sua voz com o mesmo som das crianças nos contos de fadas. “Mamãe, olha o tamanho da lua?”, e a mãe dela toda entusiasmada acabou de responder: “Que lindo, né, filha? Essa lua chama-se eclipse lunar. E da próxima vez que você for ver essa mesma lua, você estará bem grande”.

— Mamãe, o que ele tanto escreve?
— Pergunte a ele, filha, não a mim. — Respondeu a mãe curiosa também.
“Estou escrevendo sobre tudo isso que estamos vendo, e, se permitir, vocês vão parar aqui dentro.” Dada à autorização, elas vieram pro lado de cá.

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