Em que mundo você está?

Às vezes me pego observando o nada de modo que quem está ao meu lado tem que me dar uns cutucões para trazer de volta à realidade. Sou assim e não tem jeito, já tentei mudar, mas não dá. Desconfio que seja a forma que encontrei para dar assunto às crônicas.

Pois bem. Dias desses estava no shopping conversando com uma amiga, sentados num sofá esperando a hora passar para assistir ao filme, enquanto isso ela contava sobre os conflitos amorosos — os conflitos dela com o namorado e os conflitos dos para se auto confirmar que não está sozinha nessa —, enquanto ela falava meus olhos estavam atentos a cada movimento ao redor. De repente, observei a pessoa próxima de nós (vou preservar a imagem sexual vai que descubra esse texto) e fiquei encantado. Fiquei encantado pela forma como olhava, como ria, como andava. Foi um flechaço do cupido. E então pensei comigo: e não é assim como tudo começa?

Você está andando na rua e de repente vê alguém que te chamou a atenção. Você para por um minuto, respira, e quando o autor do mal-estar corresponde suas expectativas seu coração vai para o céu e inferno simultaneamente. Você se descobre envaidecida, e como é uma mulher nada boba, acaba gostando, então, o destino dá uma trégua e alguém, não se sabe quem tomou a iniciativa primeiro já que nessas horas ninguém responde por si, vai de encontro com você ou você vai de encontro com alguém e aquele “olá, tudo bem?” acaba em namoro.

Você, namorando há 7 anos, descobre que se apaixonou por outro, mas não quer admitir isso, já que se apaixonar é alto risco, pois pode acabar ficando sem o fixo e o pretendente. Porque, até descobrir se o pretendente quer algo sério, ou se só quer sexo, seu namoro com o fixo estará rompido.

Estamos falando de traição, algum inocente no recinto? Não? Que bom. Vamos adiante. Você acaba se envolvendo com o el-comedor, mas sente falta do homem que de certa forma preencheu seu vazio nos últimos sete anos. Você sente falta do tempo que passava com ele, sente falta das conversas fiadas, sente falta até da rotina. Você corre atrás do tempo perdido porque descobre que às vezes a paixão aparece como uma farsa.

“E ele te perdoou?”, perguntei enquanto olhava para a pessoa a minha frente. Ela: “Perdoou, mas é por causa desse seu olhar no mundo da lua que quase me fez perder a relação que construí nesses últimos anos. É por causa dessa paixão repentina que deixei de valorizar as coisas ao meu redor. Você quer olhar pra mim?”.

A pessoa para qual estava olhando entrou no banheiro, saiu, e se perdeu na multidão. Agora estamos numa distância remota. Se apaixonar dá disso: nem sempre termina como a gente espera. Mas o lado bom é que me rendeu uma crônica.   

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