Falta de cognição política

Eu estava saindo do banco quando um homem (que nunca vi na vida) me parou e cumprimentou, na mão esquerda estava com alguns folhetos e logo entendi antes de falar qualquer coisa que era mais um candidato a vereador. Segundos depois, perguntou se eu tinha candidato. Respondi que não. Então me entregou um folheto onde tinha uma foto dele, número de voto e partido. Chato do jeito que sou, perguntei: o que você propõe? “Desculpe, não entendi”, respondeu olhando para outra pessoa que passava. “Quais suas propostas, o que pretende fazer caso for eleito?” Olhou pra mim com uma cara de não-banque-o-chato-ninguém-tem-interesse-nisso e começou a falar sobre saúde, segurança pública até falar em criar projeto de lei sobre questões de gênero em sala de aula, logo entendi que os argumentos apresentados não eram nada diferentes do que já ouvimos e tenho quase certeza que aquele discurso foi executado sem nenhum planejamento prévio.

Poderia dizer que para mudar uma cidade dá trabalho o que dirá um país, poderia perguntar como pretende melhorar todas as falhas apresentadas, que estratégia usaria, caso tivesse, já que só a lei não basta, mas como sabia que dali não ia sair nada, apenas entreguei o folheto de volta. Perguntou o porquê não ia levar o papel de modo que respondi que não tinha me convencido. Certamente era candidato de primeira viagem — ou definitivamente um despreparado.

A cada vez que ouço um relato parecido questiono se o candidato não é mais um pseudopolítico, e ao observar a persona, na maioria das vezes vejo o mau-caratismo a olho nu. A cada discurso que ouço me pergunto se esses bandos de canastrões sabem o que é cidadania. São homens e mulheres que lutam nem sei pelo quê. Homens e mulheres que não inovam sequer demonstram espírito altruísta. A começar pelo salário absurdo que ganham. Seria uma boa proposta criar um projeto de lei que diminuísse o salário desses bandos de hipócritas a serviço da sociedade.

O trabalho do vereador é no legislativo, mas criar leis com propósitos a fim de contribuir e não de atrapalhar o desenvolvimento de uma cidade. Criar lei para discussão de gênero em sala de aula é uma burrice sem precedentes. Qualquer assunto abordado em sala de aula entra em questões de gêneros. Não é preciso burocratizar os temas. Questão de gênero está ligada à pessoa, como se cria lei para discutir pessoas? 

Políticos sem cognição formada deveriam ser mais modestos em não se candidatar. E os eleitores mais modestos ainda em não pedir propina em troca de voto.

Candidato, retire-se, sua proposta é horrorosa.

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