Medo de crescer

“Meu filho é muito bacana, além ser simpático é educado com todo mundo, porém, tem medo de crescer. Não sabe fazer um arroz, tampouco lavar a própria cueca.” Foi com essa frase que ouvi de uma mãe, semanas atrás numa conferência, que fechei o dia pensando nas pessoas as quais também acabei conhecendo e criei certa empatia, mas que no fundo carregam dentro de si mesmas um medo habitado desde sua infância.

Geralmente, essas pessoas se escondem atrás dos pais durante a vida toda; desde seus primeiros anos de vida até seus 40 anos nas costas. Nada contra. Porém, desapegar do cordão umbilical é uma forma para desenvolver a independência e, sobretudo, a responsabilidade — sendo essa responsabilidade que indago, justamente, aquela em que você fica vacinado sobre as coisas emergenciais como cozinhar, lavar e limpar a própria sujeira, enfim, responsável por si mesmo.

Diga-se de passagem, fui vacinado muito cedo. Cedo até demais para meu gosto. Desde pequeno tinha que cuidar do meu irmão, da casa, limpar minha bagunça e aprender a fazer minha própria comida, porque a minha mãe tinha que trabalhar e abastecer a geladeira. Fui uma boa “dona de casa”; daquelas que deixa tudo mais limpo que o próprio dono.

Ainda vivo debaixo do teto dela, no entanto, o resultado desses ensinamentos todos, foi um senso de responsabilidade muito grande. Ela pode ir a qualquer lugar, que dou conta da casa. Ela pode viajar por muitos dias, que me basto. Sei lavar minha própria cueca, passar minha própria roupa, colocar a toalha no banheiro e servir meu próprio prato.

Medo de crescer talvez passe pela consciência daqueles que têm uma preguiça muito grande de se satisfazer; além do acomodamento, porque sabem que haverá alguém o qual sempre vai suprir suas necessidades e suas vontades.

Até mesmo depois de casados, mudam de teto, mudam de cama, mudam de roupa, mas no fundo aquela criança fica entranhada de modo que toda responsabilidade que havia colocado nos pais transfere para a mulher. “Amor, você pode lavar essa meia pra mim?” E quando não é para lavar é para cozinhar, passar e comprar. Conhece alguém aí que possui essas características?

Como se não bastasse, o medroso tem um problema muito grande em ser contrariado. Basta ouvir um não e fica enfezado. Porém, peça para ele lavar o banheiro e verá o leão em pessoa; ou para colocar o macarrão na água enquanto assisti ao jogo e verá o seu inimigo.

Caso conheça alguém com medo de crescer, pergunte a ele se consegue desgrudar da mãe ou da mulher, se disse que não, apresente-o a uma pia cheia de louça. Fique tranquila, vão rosnar, mas não vão morder. O crescimento também não é imediato, mas já é um começo.

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