Minha vida até aqui

Eu temo pelas coisas que não tive.
E de certo modo meu peito dói.
Tive muitas coisas, tive uma infância
diferencialista demais para meu gosto.
Tive uma mãe protetora, sobretudo nada equilibrista.
Tive carrinhos, tive amor de mãe, faltou-me amor de pai.
Mas mamãe soube repor.
Tive brinquedos que se perderam o com o tempo.
Brinquei de boneca, chupei chupeta e dormi
com um paninho sobre o rosto. Assim me fiz.
Mas temo pelo que não fiz e pelo que não tive.
Não tive, por exemplo, uma família unida,
papai era agressivo demais e mamãe chorona demais.
Assim fui me fazendo. Demasiadamente. Não completamente.
Fui me fazendo porque foi o jeito que encontrei para me fazer.
Li bons livros, fui um bom filho, não briguei na escola e terminei
o ensino médio sorrindo. Fiz faculdade.
Fiz de mim o que se esperavam.
Segui a cartilha. Mas faltou felicidade.

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