Nosso trânsito de cada dia

Não, não era assim que eu queria abrir a coluna, queria falar de coisas boas, coisas positivas que nos motivam a continuar a jornada, mas como todo mundo esqueceu-se do bom senso, o que me resta é puxar orelhas dos motoristas da nossa cidade que, a propósito, cresceu tanto, mas parece ainda viver numa selva.

Jundiaí é minha cidade natal e é também da Joana, do Paulo, da Marcela, do Vitor e tantos outros jundiaienses que acordam cedo e vão para o trabalho, pegam ônibus lotado, observam gente com sono, às vezes feliz e tantas outras vezes tristes. Somos uns bandos que atravessam os dias nesse looping frenético.

Já o trânsito; ah, o trânsito, esse sim merece uma indagação maior. Eu não entendo a falta de educação, a falta de sensibilidade de se colocar no lugar do outro enquanto se dirige. Outro dia eu estava no banco do passageiro quando o motorista da frente ficou indeciso se entrava na rua à sua direita ou seguia reto. Tudo isso aconteceu na Avenida 14 de dezembro. A motorista que estava dirigindo o carro em que eu estava começou a buzinar e gritar com o senhorzinho do carro à frente, que por sua vez, deve ter entrado numa rua errada, que levaria a um destino que não era seu objetivo.

Tudo isso por uma coisa simples que pode acontecer com todos nós, inclusive com você que sai agredindo as pessoas apertando a buzina, gritando feito um louco, gastando energia por uma coisa boba. Afinal, quem nunca se perdeu numa rua e entrou em pânico?

Jundiaí é uma cidade que cresceu muito, sua cultura, sua música, seus gostos típicos não devia deixar a ignorância tornar-se o seu forte. De nada adiante ter as ruas limpas (não são todas), prédios bem-estruturados, carros do ano, se arrogância falar mais alto. Todos os ganhos vão para o ralo.

Uma cidade não se torna referência se sua população for mísera.

Já andei por vários lugares e posso dizer que Jundiaí é páreo em educação se compararmos com outras cidades. Sei que o bom humor, leveza, gentileza, obrigado, por favor andam em falta no mercado, mas não podemos esquecer de que nada adianta uma cidade evoluir se continuarmos pobres de sensibilidade e de espírito. Se não conseguirmos essa proeza, voltemos, então, para a caverna, o lugar em que viemos todos.

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