O Brasil anda mal frequentado

Honestidade nunca foi o nosso forte. Há exemplos estampados nos jornais que mostra o quanto os brasileiros são truculentos e sem escrúpulos. São homens mulheres que deixam estampado a ganância e o lado mais sombrio e primitivo. São homens e mulheres que diante da tamanha empáfia não assumem seus erros e fracassos. 

A cada vez que ouço milhões, bilhões fico me perguntando qual o sentido. Qual o sentido de ser lembrado como alguém sem moral e sem princípios? Qual o sentido de roubar sabendo que isso vai negligenciar a vida do outro?

A ganância me arrepia. Assim como a arrogância, como a miséria de espírito, como a miséria de empatia. A hostilidade está no nosso DNA, que cada vez mais se demonstra como somos estúpidos. E estupidez não é um sintoma que atinge apenas os ignorantes, mas tem atingido os elitistas que, não sabendo canalizar o próprio vazio, atingem a grande parcela da sociedade.

Toda vez que abro os jornais logo percebo que o Brasil anda mal frequentado. Não por gringos, não por europeus e americanos, mas por nós mesmos. O Brasil anda mal frequentado porque perdeu os princípios básicos da convivência. Aqueles princípios que deviam ser impostos desde o berçário. Os mesmos ensinamentos que deviam passar para os filhos e netos. Mas a tacanhice é tão grande que foge a sensatez.

Então, para que novas gerações não sejam contaminadas pela precariedade dos gestos, façamos um exercício agora, a fim de se redimir das nossas pequenas falhas.

Eu me perdoo por outro dia fazer xixi num banheiro clandestino, quero dizer, na rua. Eu sei que é um crime, por isso me comprometo a nunca mais fazer isso. Eu me perdoo por ter entrado pela porta de trás do ônibus — peço desculpas, motorista, sei que ficou muito bravo comigo e com razão.

Peço desculpas também por alterar a voz por besteira. Peço desculpas ao moço do banco que, fazendo seu trabalho, deixei falando sozinho do outro lado da linha. Eu me perdoo também por muitas vezes deixar quem eu amo de lado a fim de levar as minhas vontades mais a sério.

E, sobretudo, peço, humildemente, perdão a todos aqueles que nos visitam e ouve-nos pela negligência, pela precariedade, pela mesquinhez e pelos incontáveis indultos deste país.

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