O futuro

Vivemos numa sociedade segmentada no raciocínio linear. Numa sociedade que em seu conceito está o princípio da não-contradição. Ou você é feio ou você é belo. Certo ou errado. Junto e injusto. Bem e mal. Homem e mulher. Foi através desse raciocínio que se criou a segregação e, principalmente, o maior de todos os conflitos: a excludência. Tirei o dia para filosofar. Divirta-se!

Desconfio que essa crise que o país está enfrentando é devido ao novo modelo de cognição. É natural com o passar dos anos a cultura modificar os próprios hábitos — sendo que esses hábitos incluem educação, valores, ética e moral. Estamos numa transição de valores. Se antes tínhamos um modelo restrito, hoje é variável.

Esses conflitos religiosos, o atentado na França, guerras em todas as esferas, vem de um pensamento hierarquizado que, por sua vez, está o pensamento conservador — aquele que citei no primeiro parágrafo. Mas para entender melhor isso que está acontecendo ao nosso redor, voltemos ao século 20 quando foi marcado pelo investimento tecnológico.

O século que passou recentemente foi à chave para a quebra de protocolo. Investiram em técnica, mas esqueceram-se de investir no ser humano. A instabilidade nasce nesse momento devido à busca pelo poder. Taí uma palavra que não nos pertence mais: poder.

Entramos para o século 21 com uma crise ambiental que ninguém controla, com uma instabilidade financeira sem precedentes, com uma imaturidade política inimaginável. Pessoas se matando, o meio ambiente se destruindo, o mundo caindo — isso mesmo, tudo no gerúndio — não há nada de estranho acontecendo porque tudo isso é devido a um processo que se desenvolve e cria conflitos. Está todo mundo perdido, mas logo a gente se encontra. Acalma-se.

Nas minhas previsões ainda não é o fim do mundo. Logo adiante tudo se consertará. Ninguém ficará mais em frente ao computador. Ninguém vai querer Facebook, Whatsapp, Twitter&Cia. Vamos todos estar zen. Vamos cansar dessa brincadeira exibicionista. É provável que buscaremos curas milagrosas como ioga para aplacar a nossa ansiedade. Talvez a gente consiga encontrar paz de espírito, já que voltaremos um olhar para o outro sem o maldito celular em mãos.

Como o futuro estará programado tecnologicamente para todos os conflitos, guerra terá, mas não como esta dos dias atuais, a guerra vai ser pela busca de paz — e nem estou falando da volta de Cristo, veja bem.

No futuro, não será cogitado morrer na rua porque haverá câmaras para todos os lados e finalmente voltaremos ter uma vida sociável como antes — antes mesmo — antes do hoje. Iremos dar valor a uma conversa num domingo à tarde. Vamos falar sobre tudo civilizadamente feito gentes educadas, sem demasia, sem arrogância, sem ignorância. Vamos ter de tudo. Só que o tudo se transformara em nada.

Sobretudo, o mundo sobreviverá. Se encontrar a ética, obviamente.

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