O grande valor da vida

É consenso que a problemática do Brasil advém de um conceito hierarquizado que impede o pensamento crítico. Desse modo, é possível observar que, o caos que estamos vivendo hoje em todas as camadas da sociedade —, é pela falta de cognição e canalização de ideias. Saímos às ruas e pedimos o impeachment, aplaudimos quando lançam bomba caseira no Instituto Lula e quando agridem os usuários e motorista do Uber, mas ninguém pensa nos desdobramentos que isso pode haver logo à frente. Somos contra uma coisa e a favor de outra, mas, num termo geral, ninguém propõe nada. Nem mesmo os governantes e tampouco a sociedade.

A intolerância e a instabilidade chegou a tal ponto que é impossível imaginar um futuro. Há ausência de lideranças políticas, educacionais, familiares e, principalmente, sociais. Jogam-se pedras e mais pedras uns nos outros — a intolerância e a violência é consequência da cegueira política e leviandade social. Estamos todos sem direção pelo sectarismo e pela polarização de ideias. Matamos e jogamos bomba em nome do bem.

A internet é perversa por esse motivo: investiram-se arduamente para criar uma tecnologia elaborada, mas não houve interesse em desenvolver a nossa capacidade cognitiva, a nossa sensibilidade diante da vida. Resultado disso é o niilismo que vemos hoje: um ser humano medíocre intelectualmente. Seres humanos que ficam indignados com a corrupção, com o abismo social e ambiental, mas que sempre espera que o outro resolva o problema. O nosso mal é a comodidade e preguiça de pensar, agir e propor.

Esse cenário intolerante que vemos hoje é resultante de um modelo cognitivo que foi colocado em prática há décadas. Um mandava e o outro obedecia. Havia o mal e bem. O certo e o errado. O justo e o injusto. Onde surgiu a segregação, a nossa incapacidade de se relacionar com outro, de ouvir o outro e de compreender quem quer que seja.

O que fazer para sair desse cenário hostil e intolerante que vemos hoje? Impedir a maldade, o que nos incomoda? Duvido que resolva. Ao invés de nos apontar o certo e errado, seria mais apropriado nos mostrar o caminho afirmativo, o caminho de propor ideias inovadoras para sair dessa catástrofe gerada por nós mesmos.

O grande valor da vida, talvez, seja valorizar as diferenças. Conviver em multiplicidade. Estabelecer diálogos sustentáveis, criar pactos e acordos quando falamos e quando ouvimos. Conseguiremos um dia, resolver qualquer problema quando olharmos e valorizarmos o saber dos coletores de lixo, a mulher da limpeza, o morador da rua. Se não enxergarmos o grande valor da vida agora, futuramente, não haverá sociedade e padeceremos quando for tarde demais.

Comments

comments

Deixe uma resposta