O lado B de se ter uma mãe

Existem dois tipos de mães: aquela que idólatra o filho (protetora demais) e aquela que não fica no pé dele o tempo todo (liberal demais). Dificilmente encontraremos uma mãe equilibrada – aquela que sabe a dosagem certa entre ser protetora e liberal.

Encasqueto com isso porque toda vez que chega o dia das mães vejo amor para todo o lado. “Mamãe, tenho orgulho de ser seu filho.” Também tenho, mas sem hipocrisia, por favor.

No dia das mães ficou catalogado que elas são perfeitas.

Mas vamos refletir, sem rebeldia: elas não têm nada de perfeito, pelo contrário, existe um lado B de se ter elas – esse lado que é tão pouco falado. A mãe protetora, por exemplo, faz tudo pelo filho, arruma a cama dele, faz comida, só não coloca na boca porque, ele, se sentindo um adulto, fica enfezado. “Eh, mãe, não sou mais criança.” Esse “adulto” ao andar sozinho na rua vai se perder por ser um tremendo mimado. Já a mãe liberal não se importa onde o filho está e com quem está. O garotão pede dinheiro a ela e quando vai procurar saber onde o dito cujo se meteu, humm… Termina aí a história, sua mente deve ser mais fértil que a minha.

Esses hábitos já têm firma reconhecida em cartório por serem tão comuns. Existe o lado “invisível” das mães – aquele lado que os filhos sabem, mas não falam. Sou um filho mal criado, por isso comento. Pois o lado B de ser ter uma mãe se confirma em outras situações do dia a dia também. Quando ela usa o sentimentalismo para culpar o filho, quando finge uma dor que não tem, quando faz a cabeça do filho a ponto de ele desconfiar da própria mulher, a ponto de perder sua identidade – se tiver uma, já que a domesticação que ela faz impede o garotão de pensar por conta própria.

Mães têm truques. Ela vai fazer você se sentir culpado mesmo quando você estiver na razão. Ela vai chorar sem ter motivo, vai dramatizar para você fazer o que ela quer. É, meu caro, mães são macabras: usam o sentimento para influenciar nossa decisão. Nega um favor a ela, sua mãe vai olhar pra você e dizer: “É isso que a gente recebe do filho depois de ter aguentado nove meses na barriga”. É drama ou não é?

Minha mãe sabe que não caio mais em suas ciladas. Sou vacinado. Quando vejo que ela está dramatizando e querendo me culpar mesmo eu com a razão, mudo de assunto, vou ouvir uma música, assistir a um filme; enfim, posso até não estar na razão, mas não sinto culpa alguma. Zero. Nadinha. Sou de pedra? Talvez. Mas desconfio que seja meu truque para não ser influenciado pelos pensamentos dela.

Têm mães que são mais rasteiras ainda. Converse sobre isso com ela. Ela vai dar meia volta se justificando e finalizará o discurso com aquela mesma ladainha de sempre. “Um dia você vai ter filho…”.

Corre, está tentando te influenciar de novo.

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