O melhor presente

Toda vez que chega o Dia das Mães fico procurando um assunto que vale a pena a ser contado aqui na coluna, e dessa vez, o que mais tem me incomodado é essa frenesi por consumo. As datas comemorativas, de fato, é um desvio de ideal, o único objetivo é para que compremos cada vez mais. Perfumes, joias, roupas, sapatos, bolsas — a lista é grande. Mas o maior presente não são os slogans, a marca, a Louis Vuitton. O maior presente é gesto. Não o gesto de filho (abraços, beijos e presentes valem o ingresso), mas o gesto a qual me refiro é o se reconhecerem mulheres, esqueça um pouco do papel de mãe.

Blá-blá-blá de filho? Sério mesmo que pensou isso? Como filho, qualquer conselho também é cabível. E meu conselho é: não se leve tão a sério. Tenha autocomiseração por si mesma. Os filhos já estão grandes, todos bem encaminhados, você fez sua parte. Deixe que se virem um pouco.

Pare de se autoflagelar onde foi que errou. Somos todos errantes em potencial, afinal, não é dos erros que surgem os acertos e as soluções? Permita-se libertar da condição de mãe e se reconheça como mulher que é. Não se presenteia com joias, com bolsas, com o cabelo perfeito da revista. Isso não preenche o que leva entranhada. Dê uma trégua para o acaso. Lembra-se da música epitáfio “O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”?, então, permita-se distrair um pouco, observar o pôr do sol, fazer uma viagem sozinha, assistir a um filme sozinha, permita-se ser quem nunca foi.

Já o almoço em família: não deixe que aconteça apenas em datas comemorativas, mas sim no dia a dia. É no dia a dia que a gente esquece uns dos outros. É no dia a dia que a gente esquece o beijo e o abraço que devia ser costumeiro. É no dia a dia que a gente não oferta o melhor que temos. Mas vale frisar: não fique refém do almoço, da janta, das contas: vá curtir a vida. Ela anda tão curta…

Sobre aquela velha frase que se tornou filosofia de todas as mães (não-deixe-para-fazer-amanhã-o-que-poderia-ser-feito-hoje), vale outro conselho: deixe tudo pra amanhã, pra semana que vem, pro mês que vem e vai atrás da mulher que deixou no meio do percurso.

Quanto a você, mamãe de primeira viagem, não deixe de curtir a vida, acredite, deixar o bebê um dia na casa da vovó não causará um dano irreparável. Enfim, não deixe sua vida para o dia seguinte — ela também é importante. Se resgate agora. Encare a maternidade como uma aventura em vez de redenção. E lembre-se: o melhor presente sempre será ter-se a si mesma.

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