Opinião sobre tudo

Em fevereiro passado, assistir à entrevista que Martha Medeiros concedeu a Marília Gabriela no GNT. “Ter uma opinião forma sobre tudo não é extremamente restritivo?”, foi com essa pergunta que Marília fez que desliguei a TV mais que satisfeito.

Ter uma opinião ajuda em vários aspectos. Ajuda a questionar, ajuda na formação cognitiva, ajuda pensar sobre o que acontece ao nosso redor e ao redor do mundo. Mas sempre? Tudo que se ouve, tudo que é argumentado precisa de fato de uma opinião? Raul Seixas já dizia naquela velha canção: prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Eu não sei como é você, não sei se você adora ter opinião sobre tudo, não sei se gosta de falar sobre tudo e também não sei gosta de entender tudo. Porém, não tenho muita apatia com diversas coisas e ter que ficar dissecando a opinião que tenho sobre qualquer coisa que seja me incomoda demais.

Quando alguém começa falar sobre futebol, corro. Quando falam sobre a vizinha que deu o maior vexame porque bebeu demais numa festa, fujo. Sicrana largou do namorado, problema dela. Beltrano traiu a mulher, pouco me importo.

Esta semana perguntaram o que eu acho sobre traição. Até eu explicar que é algo natural e que as pessoas só traem não porque deixou de amar alguém, e sim porque os desejos e as necessidades individuais buscam sempre um ideal e que muitos psicanalistas já escreveram sobre isso… Eu disse: “não acho nada!”. É prático e fácil. Não preciso ficar explicando e justificando tudo. Aliás, quem fez a pergunta não gostou muito da minha resposta, mas tenho certeza que escapei de uma possível discussão.

Ter opinião sobre tudo é sim restritivo, reducionista e pluralizado. E o que mais me incomoda é que não ter uma opinião já é ter uma. Entretanto, e se eu tivesse dito aquilo? E se eu estiver totalmente equivocado? E se as pessoas traem por pura sacanagem e que nada tem haver com os desejos e necessidades individuais?

A verdade é que eu não sei.

A verdade é que não tenho mais paciência pra isso. Eu definitivamente não quero estar atualizado sobre tudo, não quero mais saber sobre tudo e não tenho mais interesse sobre tudo. Definitivamente estou exausto demais, irremediavelmente confuso demais e desmotivado além da conta para continuar sustentando uma coisa que nem mesmo eu sei ao certo. Portanto, se você vier com esse papo de querer entender o mundo: não se assuste se eu decidir sair correndo.

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