Tudo vai ficar bem

Tudo vai ficar bem
Imagem: Reprodução/ Internet

Quem ainda não assistiu ao filme Tudo vai ficar bem, do cineasta Win Wenders, ainda está em tempo. O filme retrata a história de Tomas, protagonizado por nada menos que James Franco, um escritor que passa por uma crise existencial e acaba afetando sua vida completamente.

O longa ganha vida logo no início quando Tomas se envolve num acidente e acaba matando Nicolas, que estava descendo de trenó uma colina junto com seu irmão Christophe, ambos filhos de Kate, personagem interpretada por Charlotte Gainsbourg.

O filme reflete como a tragédia mudará as vidas dos protagonistas, aborda a culpa que Tomas carrega por não ter freado o carro a tempo, a culpe de Kate por não ter colocado as crianças para dormir mais cedo, a culpa de Christophe por não ter cuidado do seu irmão.

No entanto, depois daquela noite fatídica, Tomas entre em depressão e se torna uma pessoa que pouco fala sobre o que se passa dentro. Termina um relacionamento desgastado e segue a vida, como pode, escrevendo livros que abordam o sofrimento dos outros, e por falar do sofrimento alheio, acaba fica ficando famoso.

Criticado por ser um filme sem consistência, frio e sem densidade, pude observar o lado oposto, pois o filme foge do paradigma da grande massa em que estão acostumados com filmes de heróis e magia. O filme pode não ter rendido bilheteria, mas com estilo de filme verossímil que só alemão produz, Tudo vai ficar bem expressa o nosso cotidiano em que atravessamos na monotonia. Revela o quanto é difícil superar um trauma e como faríamos de tudo para apagar aquilo que deixou lembranças e marcas para ambos os lados, já que ferida nenhuma se constrói sozinha.

O filme é intimista por não dar detalhe sobre o comportamento de Tomas, por deixar em aberto os próximos minutos, por enfatizar as relações humanas, o quanto é difícil conviver e entender o outro, e mesmo que a tragédia tenha marcado as vidas de ambos, o perdão se sobressai.

Tudo vai ficar bem revela que o tempo muitas vezes tira os problemas do centro das atenções, mas a superação só acontece quando há diálogos com o passado. Enfim, revela que o estímulo para seguir em frente muitas vezes está num abraçado que foi adiado numa ocasião precisa, mas que acima de tudo, estava lá para ser entregue a qualquer momento. 

Comments

comments

Deixe uma resposta