Um dia com Martha Medeiros

Esta crônica ia ganhar o titulo de “Uma noite com Martha Medeiros”, caso alguém não me alertasse que o título é muito intimista. Depois de um bom tempo, fiquei refletindo sobre a questão: ué, se não há uma intimidade entre o escritor e leitor, por que raios amo livros?, mas, enfim, por precaução, tirei a noite e coloquei o dia. Embora achar que não faz diferença alguma.

Durante quase dois meses me programei para ir a São Paulo para ver a melhor escritora do-mun-do — na minha humilde opinião. (Se nessa altura do campeonato você ainda não percebeu que sou fascinado por ela, é porque você não está no meu rol de convívio. Mas agora que você já sabe da minha tamanha fascinação, considere-se um amigo íntimo, ok?)

Bom, vamos aos fatos. Nunca expliquei o porquê do meu carisma com a ilustríssima Martha Medeiros, então, chegou o momento. Em 2009, estava andando pela livraria saraiva quando me deparo com o livro Divã que foi um sucesso, e é até hoje inclusive. Agarrei àquele livro e nunca mais soltei. Depois dele vieram outros e mais outros e quando me dei conta, tinha uma coleção — todos os livros de Martha Medeiros! — não sou um leitor, sou um consumidor de tudo que ela escreve. Simples assim? Exato. Foi a sua simplicidade que me encantou. Sua visão diante da vida, a forma como questiona o cotidiano,  seu olhar mais que mundano — inclusive a si mesma — é que tornou tão especial para mim. A poesia em tudo que se escreve é que ficou mais afável diante do meu olhar.

Por essas e outras que fui vê-la em São Paulo. Durante todo o trajeto fiquei pensando sobre o que eu ia dizer: “Querida Martha, sou seu fã desde sempre. Queria te dizer que além de ser seu admirador não secreto, pois agora você sabe da minha existência, sou fascinado pelos seus textos. Mulher, como você consegue ser tão poética num mundo totalmente eufórico e que dispensa qualquer olhar afetuoso sobre as coisas triviais?

Semanas atrás, vi num dos livros de Kafka, que dizia que um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós. E então me lembrei de você que, durante esse tempo todo, foi minha guia espiritual. Pois é, Martha, através de você que consegue quebrar o mar gelado que habitava em mim. Agora consigo mergulhar no mais profundo de mim mesmo e me encontrar nas profundezas desse oceano que todos nós somos. Tenho que lhe agradecer: obrigado por existir”.

O que eu disse: Martha, sou seu fã!

Chorei um pouquinho, mas ela nem percebeu. Gaguejei ao dizer que havia lido quase todos seus livros, e taquei-lhe um beijo no rosto. Neste momento ela já havia assinado os três livros. Uma parte de mim morreu naquele instante, não votaria a vê-la tão cedo. Foram apenas cinco minutos com Martha Medeiros, que, para mim, significou um dia todo; uma noite toda!

Obs.: Querida Martha, se estiver lendo esse texto, não querendo ser presunçoso, mas já sendo; quero que saiba, mesmo se você não estivesse acompanhada com aquele homem três vezes maior que eu, lhe convidaria para um jantar.

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