Um quase assalto

Eu estava voltando da faculdade quando percebi a distância duas pessoas em cima de uma moto me observando. Acelerei o passo até chegar à casa, mas é justamente nestes momentos que não encontramos a chave, erramos o buraco do cadeado, a chave cai ao chão; enfim, no fundo a gente percebe o perigo e entramos em pânico. Os assaltantes que me seguiu, deu a volta na rua de trás achando que conseguiria me pegar na curva que leva a outra rua, para minha sorte moro antes da curva, então, quando eu estava abrindo o portão eles chegaram com uma arma na mão dizendo para não correr. Mas já estava adentro do quintal. E corri para dentro de casa gritando feito um louco. Socorro. Socorro. Nunca havia passado por uma coisa dessas. Eram dois. Um estava na garupa com a arma e o outro conduzindo a moto e ao mesmo tempo acobertando o parceiro.

Só então, depois do susto, fiquei pensando como somos pegos desprevenidos nessas horas em que tudo pode levar a uma fatalidade. Pensei nessas tragédias que vemos sempre na televisão, pensei nas pessoas que são pegas de surpresa assim como eu fui. Pensei nos assaltos que acontecem e que, infelizmente, muitas vítimas não escapam.

De repente me bateu uma angustia por morar num país que é tão rico em arte, em música, em literatura; rico em vários aspectos, mas que é tão pobre de espírito. É desesperançoso demais viver em tempos tão difíceis em que brigamos contra o tempo, em que é trabalho e mais trabalho, em que buscamos um futuro melhor e quando menos se espera, acontece um incidente. Tudo a troco de quê?

Fulano saiu na rua e morreu por um descuido. Sicrano foi ao banco e não saiu de lá vivo. Beltrano morreu por uma bala perdida dentro da sua própria casa. Não é isso que a mídia só sabe divulgar?

Às vezes me pergunto se estou no curso certo por diversos motivos, e um deles é pela busca de tragédia. Jornalistas vivem à procura da morte para ser exibida nas grandes mídias como ato de boa informação, mas sabemos que hoje em dia crimes extremamente bárbaros dá ibope de tal modo que virou status. Sobretudo, não podemos banalizar crimes e tampouco a maldade. Temos que se indignar com tamanha tacanhice e falta de escrúpulos.

De uma sensibilidade que me é característica, mal consegue dormir à noite. Fiquei pensando no fim que aquilo poderia se dar caso não tivesse corrido. E sabendo de um roubo infrutífero, os mesmos que tentaram me assaltar, provavelmente foram atrás de outras vítimas. E dessas vítimas surgiu uma fatalidade. Eles não chegaram a atirar, mas uma parte de mim morreu naquele ato: “Mãos ao alto e não corre!”.

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