Walcyr Carrasco, o fenômeno de audiência

Em entrevista, o dramaturgo falou sobre de onde surgiu a ideia do cegonho, da novela “Êta mundo bom”, que apresentou o último capítulo na sexta-feira (26)

Conhecido pelo seu jeito direto de se expressar, Walcyr é consagrado pelo público televisivo por seu estilo único de construir personagens, que muitas vezes são ingênuos outras vezes perversos. Além de dramaturgo, é autor de O soldadinho de chumbo e outras histórias,  Lendas e fábulas do folclore brasileiro, Anjo de quatro patas, A palavra não dita, O patinho feio e outras histórias, A rainha da Neve, Em busca de um sonho, A senhora das velas e Estrelas tortas. Também é autor de livros infantis, como Vida de droga e O Menino Narigudo.

No teatro, estreou com a peça Batom. Há muitos anos é colunista da Revista Época. Sua primeira telenovela foi Cortina de Vidro, (SBT1989). Em 1991, escreveu as minisséries O Guarani, baseada no romance homônimo de José de Alencar, e filhos do sol, ambas para a extinta TV Manchete (atualmente RedeTV!). Escreveu também Xica da Silva (1996). 

Inspirada na peça de William Shakespeare A Megera DomadaO Cravo e a Rosa foi a primeira novela de Carrasco na Rede Globo. A trama Chocolate com Pimenta se tornou um grande sucesso de audiência da faixa das seis. Em 2005, a novela Alma Gêmea, foi outro grande sucesso que agradou o público. Walcyr também escreveu Sete Pecados, Caras & Bocas e Morde & Assopra e Verdades Secretas.

Em entrevista, Walcyr falou sobre o papel entre o bem e mal nas telenovelas, falou sobre projetos futuros entre outras coisas.

Leandro Salgentelli: Como é o processo criativo? Quando decide que vai trabalhar numa novela, numa minissérie, numa peça ou em livros? Tudo é muito caótico ou é organizado no processo criativo?

Walcyr Carrasco: Cada autor tem seu processo. O meu é caótico. A decisão é interior, a partir de uma ideia, de uma história que quero contar, que me fascina.

L.S: Acredito que a própria pergunta tenha a resposta, mas gostaria de saber: é possível ser original num universo onde todas as coisas já aconteceram?

W.C: Original é a forma de contar, o ponto de vista, o olhar de cada autor. Mas acredito que todas as histórias já foram contadas e recontadas inúmeras vezes, em formas de mitos, contos, romances.

L.S: Têm coisas que me incomodam nas novelas, nos filmes e também em séries, o maniqueísmo é uma delas. Essa divisão entre o bem e mal, entre o protagonista e o antagonista, não é um conceito muito excludente e, talvez, ultrapassado? Não acha que estimula a sociedade a se opor?

W.C: Eu acredito que é algo que incomoda a você, mas certamente não incomoda a mim e ao grande público de novelas. E também de muitos romances clássicos, onde o bem e o mal são claramente delineados. Acho que as pessoas sentem sim, necessidade de reafirmação de valores, e heróis e vilões cumprem esse papel à sua maneira. Pelo contrário, eu acho até que esse conceito de que ninguém é inteiramente mal leva a uma sociedade muito permissiva, dominada por um psicologismo raso, onde há explicação para tudo. Sim, há. O estuprador pode ter sido a vitima na infância, como em tantos casos. Mas isso torna o crime menos violento?

L.S: Falando do seu trabalho atual, “Etâ mundo bom”, que está em fase final, onde surgiu a ideia do cegonho? 

W.C: Surgiu no próprio processo de escrever. Quando eu era criança, explicava-se que a cegonha trazia os bebes. Usei a mesma forma de ver o mundo para o pessoal da fazenda. E da cegonha para o cegonho foi um passo.

L.S: Como escritor, dramaturgo, como profissional, o que falta em Walcyr Carrasco?

W.C: Ah, ainda quero escrever tantas coisas! 

L.S: Poderia nos adiantar sobre algum projeto novo?

W.C: Sim, estou terminando um livro sobre São Francisco de Assis.

Obs: esta entrevista foi publicado na integra, no dia 28 de agosto de 2016, na Revista MKlay. 

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